O calendário eleitoral de 2026 entrou na fase em que pesquisas são publicadas semanalmente. BTG/Nexus na segunda, AtlasIntel na terça, Datafolha e Quaest a cada 15 dias. Para quem acompanha a corrida, é um banquete de dados. Para quem disputa, é um campo minado.
Cada novo levantamento força reações imediatas. Quando Flávio apareceu numericamente à frente de Lula no segundo turno pela Quaest em abril, o governo acelerou o anúncio do Minha Casa Minha Vida e do fim da escala 6x1. Quando Lula recuperou a liderança na BTG/Nexus, o PL intensificou a cobrança por unidade interna. Pesquisas viraram gatilhos de campanha.
O risco é que a política de reação a pesquisas substitua a política de projeto. Governos que anunciam medidas para subir dois pontos em levantamentos costumam colher resultados de curto prazo e problemas de longo prazo. O Desenrola 2.0, que libera FGTS para pagar dívidas, é um exemplo: resolve o número de hoje e pode criar o endividamento de amanhã.
A semana de pesquisas vai agitar Brasília, São Paulo e as redes sociais. O eleitor que quer entender 2026 deve olhar menos para os números isolados e mais para a tendência. E a tendência, até agora, é de empate.