Os advogados de Daniel Vorcaro estão tentando reabrir as negociações para um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com interlocutores de ambos os lados – o do dono do Banco Master e o dos investigadores –, porém, todas as tentativas de reaproximação feitas até agora foram frustradas.
O último movimento foi uma abordagem do advogado de Vorcaro, Sérgio Leonardo, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, no salão branco do Supremo Tribunal Federal (STF). No salão, que costuma ser frequentado por advogados e ministros em intervalos de julgamentos, Leonardo disse a Gonet que seu cliente estava disposto a fazer uma nova oferta e dizer o que delegados e procuradores queriam saber, mas o procurador-geral rechaçou a ideia de bate pronto.
Não foi a primeira tentativa de Leonardo. Nos dias anteriores, ele tentou o mesmo tipo de approach com a PF e com a PGR, em visitas pessoais e conversas em que procurou encontrar uma brecha para retomar a negociação. Até agora, não teve sucesso.
Tanto a PF como a PGR veem a iniciativa de Vorcaro como uma espécie de truque, porque não acreditam que ele esteja realmente disposto a fazer uma confissão real de crimes para fechar um acordo de delação.
No último dia 15, a PGR rejeitou a segunda proposta de delação de Vorcaro por considerar que seu conteúdo não acrescentava nada de relevante ao que já se sabia a respeito dos crimes praticados por ele, além de omitir informações que a PF já tinha. Uma semana antes, a Polícia Federal rejeitou a delação com a mesma justificativa.
Com o final das negociações, Vorcaro foi encaminhado da Superintendência da PF no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como “Papudinha”.
Na cadeia, Vorcaro deve ficar na mesma cela do ex-presidente Jair Bolsonaro por um período de pelo menos 10 dias, por conta de um “isolamento sanitário” recomendado pela própria Vara de Execuções Penais, segundo a equipe da coluna apurou.
O objetivo é afastar o risco de ele eventualmente ter contraído alguma doença ou infecção que possa se espalhar na Papudinha – procedimento comum adotado com detentos que passam por esse tipo de transferência.
Depois disso, o ex-banqueiro pode ser mantido na cela ou realocado para outra, já que não está descartada a possibilidade de Bolsonaro retornar ao batalhão da PM. Nesse caso, o espaço precisará estar livre para recebê-lo.
Além de Vorcaro, está detido na Papudinha outro potencial delator do caso Master, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, também preso no bojo das investigações de um esquema de corrupção e fraude bilionária.
Ao determinar a transferência do banqueiro para o batalhão, o ministro do STF André Mendonça determinou que o presídio adotasse as “providências necessárias para preservar a incomunicabilidade entre os custodiados presos em razão da denominada Operação Compliance Zero”.
Malu Gaspar - O Globo