O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou que pode pautar ainda esta semana a sabatina de Jorge Messias, indicado por Lula para a vaga no STF aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. O movimento agrada ao Planalto, que precisa da confirmação para consolidar sua influência na Corte. Mas Alcolumbre não faz nada de graça.
Em paralelo à sabatina, o presidente do Senado articula a derrubada dos vetos presidenciais ao projeto que reduz penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. É uma dosimetria que interessa diretamente ao campo bolsonarista. Alcolumbre joga nos dois tabuleiros com a naturalidade de quem domina o jogo.
O cálculo é claro: aprovar Messias garante o apoio do Planalto para sua recondução à presidência do Senado em 2027. Facilitar a dosimetria garante votos da oposição para o mesmo objetivo. Alcolumbre transforma cada pauta em uma moeda de troca para sua própria sobrevivência política.
O STF ficou com uma cadeira vazia por mais de um mês após a saída de Barroso. A demora não é institucional. É política. A indicação ao Supremo virou ficha de negociação entre Poderes, e o plenário vai continuar com 10 ministros até que todas as partes estejam satisfeitas com o preço.