A proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, não se limita a citar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Conforme revelou a revista Veja, em reportagem repercutida no Jornal 96 desta sexta-feira (12), o banqueiro também detalhou aos investigadores um esquema de longa data envolvendo o PT da Bahia, com participação direta do atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, quando era governador do estado.
Segundo o relato de Vorcaro, a parceria com o partido começou em 2007, durante o governo de Jaques Wagner (PT), por meio do programa Cesta do Povo, que permitia a funcionários públicos baianos realizar compras com desconto em folha de pagamento. A entrada do Banco Master na operação transformou o CredCesta em uma das maiores modalidades de crédito consignado da Bahia, gerando lucros expressivos para a instituição.
O ponto central da denúncia envolve a gestão de Rui Costa. Vorcaro afirmou que, durante o governo do atual ministro, um decreto estadual restringiu a portabilidade de dívidas de funcionários públicos para outras instituições bancárias. Na prática, a medida teria blindado o Master da concorrência e garantido ao banco o controle quase exclusivo de uma carteira bilionária de crédito consignado no estado.
A delação de Vorcaro vai ainda mais longe e cita integrantes do Poder Judiciário que teriam recebido propina para atuar em defesa dos interesses do Master. A Polícia Federal rejeitou a proposta, mas a Procuradoria-Geral da República ainda analisa o conteúdo das revelações, o que mantém Brasília em estado de tensão permanente sobre os próximos capítulos do escândalo.
O rombo deixado pelo Banco Master é estimado em mais de R$ 50 bilhões, um dos maiores da história financeira do Brasil. Investigações em curso mostram que a rede de influência construída por Vorcaro alcançava políticos, magistrados e burocratas de diferentes correntes ideológicas, sustentada por festas luxuosas, empréstimos de jatos particulares e repasses financeiros que o banqueiro registrava com precisão obsessiva em seus arquivos pessoais.
Com informações da revista Veja