Everaldo Marques é um profissional competente. Tem dicção, tem ritmo, conhece o jogo e conduz a transmissão com técnica. Não se discute isso.
O problema é que falta maldade.
Narrador de futebol brasileiro não pode ser bonzinho. Não pode ser neutro demais numa Copa do Mundo onde o coração da torcida está na garganta desde o apito inicial. O povo que está em casa, na rua, no bar, no grupo do WhatsApp vibrando, sofrendo e xingando precisa sentir que quem está no microfone também está nessa junto.
Everaldo não reclama. Não desabafa. Não torce junto. Quando o Brasil leva um gol, a narração segue no mesmo tom de quando marca. Quando uma jogada podre atrasa o time, o silêncio substitui a indignação que a torcida está sentindo.
Faltam posições. Falta o narrador que bate na mesa quando é pra bater, que grita quando o gol sai, que reclama do árbitro quando o povo reclama, que sente o jogo como quem assiste de casa.
Galvão tinha defeitos. Tinha muitos. Mas torcia. Xingava quando precisava. Falava o que pensava mesmo que fosse inconveniente. Isso criava conexão com o torcedor.
Everaldo Marques não é um narrador ruim. É bonzinho demais para narrar o futebol mais passional do mundo. E no Brasil, bonzinho demais é quase a mesma coisa que ruim.