Os estados brasileiros devem somar um déficit de R$ 6 bilhões em 2026, puxados pelo aumento de gastos dos governadores em ano eleitoral. A colunista Míriam Leitão, do Globo, detalhou que o erro de gastar demais não é exclusividade do governo federal e que os piores casos estão nos estados que mais expandiram despesas de pessoal e custeio.
O padrão é conhecido e se repete a cada ciclo eleitoral: governadores contratam, concedem reajustes, ampliam programas assistenciais e deixam a conta para o sucessor ou para o segundo mandato. A diferença é que, em 2026, a combinação de inflação alta, juros elevados e pressão sobre a receita torna o comportamento ainda mais irresponsável.
O caso do Rio de Janeiro é emblemático. O ex-governador Cláudio Castro teve as contas de 2025 rejeitadas pelo TCE, com citação explícita às perdas com o Banco Master. O Rioprevidência, fundo previdenciário dos servidores fluminenses, sofreu prejuízos que o novo governo tenta recuperar. O sucessor, Ricardo Couto, fala em 6 mil exonerações para tentar estancar a sangria.
O problema é estrutural. A Lei de Responsabilidade Fiscal deveria funcionar como freio, mas se tornou letra morta na prática. Governadores ultrapassam limites de gastos com pessoal, lançam mão de contabilidade criativa e sabem que as punições raramente chegam.
Enquanto Brasília debate o teto de gastos e a trajetória da dívida federal, os estados seguem como buracos negros fiscais, consumindo recursos sem contrapartida de eficiência ou resultado para a população. Os R$ 6 bilhões de rombo são só a parte visível do iceberg.