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"O que mais preocupa é o Rio Grande do Norte", diz economista sobre contas dos estados brasileiros

O Rio Grande do Norte é, neste momento, o estado que mais preocupa os analistas do mercado financeiro quando o assunto é saúde das contas públicas. A afirmação é do economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos, em levantamento publicado neste domingo (8) pelo jornal O Globo, em reportagem da jornalista Cássia Almeida.

"Considerando a baixa disponibilidade de caixa, até abril deste ano, o que mais preocupa é o Rio Grande do Norte", afirmou Sbardelotto. A declaração chama atenção porque coloca o estado governado por Fátima Bezerra (PT), que encerra a segunda gestão consecutiva, à frente até mesmo de Minas Gerais (que lidera o ranking absoluto de caixa negativo no país, com R$ 11,3 bilhões), como o caso de maior alerta fiscal em 2026.

Isso não chega a ser uma novidade. Notícia sobre o "rombo" nas contas públicas do RN já foram destaques nos jornais da 96 FM (veja no link abaixo). Contudo, agora uma fonte isenta aponta que o prolema pode ser ainda maior que apenas um desencontro entre receita x despesa. 

O estudo da XP projeta que os estados brasileiros devem encerrar 2026 com um déficit fiscal de R$ 6 bilhões, revertendo o superávit de R$ 6,6 bilhões registrado em 2025. E mais: no ano eleitoral, as despesas cresceram 6,5% acima da inflação nos quatro primeiros meses do ano, o dobro da expansão real da arrecadação, que ficou em 3,3%.

Três fatores explicam a piora, segundo o levantamento: a disponibilidade de caixa de R$ 29 bilhões em 2025, que deu margem para os governadores queimarem recursos; as operações de crédito facilitadas pelo Propag, que renegociou dívidas dos estados com a União em até 30 anos; e a PEC dos Precatórios, que permitiu o parcelamento de dívidas judiciais em até 300 meses, liberando recursos para outros gastos.

O retrato fiscal do Rio Grande do Norte

Dentro desse cenário nacional, o Rio Grande do Norte concentra uma combinação de indicadores que justifica a preocupação do economista da XP. O estado iniciou 2026 com R$ 3 bilhões negativos em recursos não vinculados, o segundo maior rombo do país em valores absolutos. Além do RN, Alagoas (R$ 926 milhões), Distrito Federal (R$ 876 milhões), Rio Grande do Sul (R$ 765 milhões), Tocantins (R$ 288 milhões) e Acre (R$ 280 milhões) também entraram o ano no vermelho.

Mas o caixa negativo é apenas parte do problema. O levantamento da XP identificou que o Rio Grande do Norte é um dos três estados que mais estão "dando passos maiores que as pernas" em 2026. Os gastos do estado cresceram 17,7%, enquanto a arrecadação avançou apenas 5,3% - um desequilíbrio de mais de três vezes. A proporção é semelhante à do Maranhão, com 21,4% de alta na despesa para 8,9% de receita, e do Mato Grosso, com 16,6% contra 4,9%.

O Tesouro Nacional, que classifica os estados com notas de A a D para medir a capacidade de pagamento, atribuiu ao RN nota média C (não por endividamento elevado, mas por problemas de fluxo de caixa). Ou seja, o estado não deve muito proporcionalmente, mas não consegue honrar seus compromissos no dia a dia.

Como comparação, o Espírito Santo é o campeão nacional, com nota A e grande capacidade de investimento, referência de boa gestão fiscal desde as gestões de Paulo Hartung. Já São Paulo tem endividamento alto, mas bom fluxo de caixa. O RN, ao contrário, tem dívida baixa e caixa travado - um problema de liquidez que, na prática, é ainda mais grave no curto prazo.

O estado também aparece no grupo de entes federativos cujas contas já estão no vermelho em 2026, ao lado de Tocantins, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.

 

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