O presidente Lula fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes em conversa reservada com dois ministros do Supremo Tribunal Federal, segundo a colunista Bela Megale, do Globo. O teor das queixas não foi detalhado, mas o fato de o chefe do Executivo reclamar de Moraes nos bastidores enquanto se beneficia publicamente de suas decisões é, no mínimo, revelador.
Moraes foi o responsável por conduzir os inquéritos que resultaram na condenação de aliados de Bolsonaro, na cassação de mandatos e no enfraquecimento político da direita. Para o governo Lula, essas decisões foram convenientes. Reclamar do ministro em privado enquanto colhe os frutos de sua atuação é o tipo de ambiguidade que define a relação entre os Poderes no Brasil.
Nesta mesma segunda-feira, Moraes validou acordo que suspende a ação penal contra um deputado mineiro réu pelos atos de 8 de Janeiro. O ministro também deu prazo de cinco dias para a PGR se posicionar sobre a extinção da pena de Mauro Cid. A atuação segue concentrada e controversa.
O episódio também levanta uma questão incômoda: qual é o limite da influência do Planalto sobre o Supremo? Se Lula conversa reservadamente com ministros e emite opiniões sobre seus colegas de Corte, a independência do Judiciário é uma ficção ou uma realidade?
A verdade é que Moraes incomoda a todos. À direita, por razões óbvias. À esquerda, porque um ministro com tanto poder é útil quando ataca o adversário, mas perigoso quando pode virar a mira. A crítica de Lula nos bastidores é o reconhecimento silencioso de que ninguém controla Moraes, nem mesmo quem o nomeou.