A Justiça Federal suspendeu nesta segunda-feira o megaleilão de energia do governo Lula que contratou R$ 515 bilhões em reserva de capacidade de grupos como J&F, dos irmãos Batista, Eneva, de André Esteves, e Petrobras. A decisão liminar foi assinada pelo juiz Luis Praxedes Vieira da Silva, do Ceará, e atende a questionamentos sobre irregularidades na base de cálculo do pregão.
O leilão já era alvo de ações na Justiça Federal e no TCU. O problema central é que, em apenas três dias, alterações nas regras dobraram o custo total da energia contratada. Para piorar, o governo priorizou usinas movidas a combustíveis fósseis, como carvão e gás, em vez de fontes renováveis. O discurso ambientalista do Planalto, mais uma vez, não resiste ao primeiro teste de realidade.
A ironia é que o próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico cortou geração neste fim de semana por excesso de oferta de energia, algo inédito no país. Ou seja, o Brasil tem energia sobrando e o governo contrata meio trilhão de reais em energia suja, cara e desnecessária.
O Ministério de Minas e Energia, comandado por Alexandre Silveira, disse que "não vai comentar" a decisão. Silêncio eloquente de quem sabe que a conta não fecha. O ministro foi um dos articuladores do leilão e já vinha sendo questionado por parlamentares sobre a lógica econômica da contratação.
O episódio revela o que já se sabe há tempos: quando há dinheiro público em jogo e eleição no horizonte, os princípios de responsabilidade fiscal e ambiental viram figuração. A conta de R$ 515 bilhões será paga pelo consumidor brasileiro na tarifa de energia pelos próximos anos.