De um lado, a remada viking é uma das principais sensações da Copa do Mundo —com tudo que ela representa. Mas do outro, a Inglaterra sempre foi reconhecida pela força de sua frota marítima.
Não tão distante das praias de Miami, Noruega e Inglaterra duelam neste sábado (11) por uma vaga na semifinal do Mundial, às 18h.
E a principal arma da flotilha nórdica é bem conhecida de toda linha de defesa inglesa. Erling Haaland, o exterminador norueguês, joga no Manchester City, da badalada Premier League, na qual foi o artilheiro em três das quatro temporadas em que participou desde que chegou.
Como parar Haaland é um dos temas mais recorrentes desde o início da Copa. E ainda ninguém colocou em prática uma solução viável.
As marcas que o camisa 9 ostenta são de tirar o sono de qualquer zagueiro. São 7 gols no Mundial em quatro jogos —um a menos que o argentino Messi (cinco jogos) e que o francês Mbappé (seis jogos). Na seleção, são 62 em 54 partidas. Foi também o artilheiro das Eliminatórias europeias.
O Brasil acreditou que tinha um bom antídoto: Gabriel Magalhães, zagueiro do Arsenal, rival do City, que terminou a temporada com a melhor defesa. Não foi suficiente.
"Erling é Erling. Todos nós sabemos como ele é. Ele sabe fazer gols. É perigoso dentro da área e representa uma ameaça constante. Ele mostrou isso no torneio, marcando em todos os jogos. Mas acho que estamos focando principalmente em nós mesmos e no nosso jogo, não no deles", comentou o confiante lateral Nico O'Reilly, colega do norueguês no City.
Morgan Rogers, meia-atacante do Aston Villa e do English Team, lembra que sua equipe não tomou gols no norueguês e venceu as dua na temporada.
"Nos saímos bem nesses jogos contra o City, mas cada partida é diferente e ele pode simplesmente mudar de ideia num piscar de olhos. Precisamos estar muito concentrados, muito atentos aos seus movimentos e onde ele está na área", comentou o inglês, colega de Konsa no Aston Villa, mais um que vai ficar de olho em Haaland.
No entanto, a Inglaterra tem uma pequena dúvida justamente no seu miolo de zaga. Guéhi —mais um do City— sofreu uma lesão muscular nas oitavas, diante do México.
O jogador, assim como Declan Rice, foi poupado de treinos no início da semana e é quem mais preocupa. Dan Burn, o veterano zagueiro com 2,01 m, pode ser uma opção —o jogador do Newcastle teve atuação elogiada nos 20 minutos finais da dramática vitória no Estádio Azteca, por 3 a 2.
O jogo, aliás, despertou a crença em um bom resultado na Copa, principalmente para a mídia e a torcida. "Acho que nós acreditamos desde o início. Acho que a confiança era mais para as pessoas em casa, para que nos vissem passar por essa adversidade e sair por cima. Foi importante para nós e nossa moral está alta", avaliou Saka, atacante do Arsenal que foi titular contra os mexicanos.
E assim como aconteceu em todos os jogos do English Team desde o início do torneio, a lateral direita continua sendo um calcanhar de Aquiles. Expulso contra o México, Quansah pegou dois jogos de suspensão —para desespero da federação inglesa, principalmente depois do precedente do caso do norte-americano Balogun, que foi expulso e teve a pena suspensa.
Reece James, o queridinho da posição e do técnico, voltou a treinar, mas ainda requer cuidados para um jogo de 90 minutos.
Não são apenas os ingleses que se sentem afetados pelas decisões arbitrárias da Fifa. A Noruega reclama de ter sido obrigada a trocar de hotel em Miami na véspera da partida decisiva.
De acordo com uma emissora norueguesa, quartos separados para os jogadores tinham sinais de sujeira ou mofo, e o hotel era próximo de uma ruidosa rodovia.
Além disso, as constantes viagens e mudanças de condições climáticas têm cobrado um preço aos noruegueses. "Temos sistemas de ar condicionado, muitos voos, vestiários e tudo mais. Somos mais de 50 pessoas —seria incomum se um ou dois de nós não fossem infectados", comentou o técnico Stale Solbakken.
"Temos nossos problemas e estamos dando tudo de nós. Mas o médico da equipe está muito ocupado no momento", comentou o goleiro Nyland. "Tivemos um período de folga, talvez alguém tenha se infectado durante esse tempo. Espero que tudo corra bem e que possamos enfrentar a Inglaterra com um time completamente descansado", finalizou o homem que defendeu o pênalti de Bruno Guimarães.
O vencedor da partida encara na semifinal Argentina ou Suíça, que fazem o último confronto das quartas ainda neste sábado, em Kansas.
Folha de São Paulo