O cigarro eletrônico, popularmente conhecido como vape, ganhou espaço nos últimos anos, muitas vezes associado à ideia de que seria uma alternativa menos prejudicial ao cigarro convencional. No entanto, essa percepção não significa que seu uso seja seguro. O aerossol produzido pelos dispositivos eletrônicos pode conter nicotina, partículas ultrafinas, metais e diferentes compostos químicos capazes de provocar alterações no organismo, inclusive sobre a saúde reprodutiva.
A exposição a essas substâncias pode aumentar o estresse oxidativo, processo que favorece danos celulares e pode comprometer a integridade do DNA dos gametas. No homem, estudos associam a exposição à nicotina e aos componentes dos cigarros eletrônicos a alterações em parâmetros do sêmen, incluindo concentração, motilidade e integridade do DNA espermático. Na mulher, as evidências apontam para possíveis efeitos sobre a função ovariana e o ambiente reprodutivo, embora ainda sejam necessários estudos para compreender com maior precisão a extensão desses impactos em seres humanos.
“Ainda existe uma percepção equivocada de que o vape seria inofensivo por não produzir a fumaça característica do cigarro convencional. Para quem está tentando engravidar ou realizando um tratamento de reprodução assistida, essa não é uma exposição que deve ser considerada segura. A saúde dos gametas e de todo o ambiente reprodutivo merece atenção”, explica Dra. Adriana Leão, médica especialista em Reprodução Assistida e responsável técnica pelo DNA Fértil.
A nicotina também exerce efeitos sobre os vasos sanguíneos e pode interferir na circulação e na função placentária. Por isso, o uso de cigarros eletrônicos não é considerado seguro durante a gestação e deve ser evitado por mulheres que estão tentando engravidar ou realizando tratamentos de reprodução assistida.
É importante lembrar que o vape não produz apenas “vapor de água”. O aerossol inalado pode carregar substâncias potencialmente tóxicas, e a ausência do cheiro característico do cigarro convencional não significa ausência de riscos. Para quem deseja engravidar, preservar a fertilidade ou está passando por um tratamento de reprodução assistida, interromper o uso do cigarro eletrônico é uma medida importante para reduzir uma exposição potencialmente prejudicial à saúde reprodutiva.
A fertilidade é resultado de uma combinação de fatores, e os efeitos específicos do vape ainda estão sendo investigados pela ciência. Mas as evidências disponíveis já são suficientes para afastar a ideia de que o cigarro eletrônico seja inofensivo.