A Polícia e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação, conduzida pelo Gaeco em parceria com a Receita Federal, cumpre 27 mandados de busca e apreensão em sete estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
A notícia é do Diário do Poder. Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, sócio-proprietário do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá. Outro investigado é o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, da Entre Investimentos, que já assinou acordo de delação premiada com a radoria Geral da República (PGR) no caso do Banco Master.
O foco da investigação é um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa no setor de combustíveis, ligado à compra da distribuidora Terrana (Tobras Distribuidora de Combustíveis). Segundo o Ministério Público, executivos do mercado financeiro teriam papel central na montagem de uma estrutura societária e financeira complexa para assumir o controle da empresa e ocultar patrimônio.
Os mandados foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva. Também participam da operação a Procuradoria-Geral do Estado e a Secretaria da Fazenda de São Paulo, além das polícias Civil e Militar.
O Gaeco aponta que o grupo teria sido liderado por Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. Eles não figuram na lista de buscas desta etapa.A aquisição da Terrana teria ocorrido por meio de fundos de investimento (Radford, Derby 44 e Los Angeles 01) e empresas de fachada (Berna Holdings e Branson Holdings), criadas pouco antes da transação. Mais de R$ 120 milhões teriam circulado por “contas de passagem” em empresas como Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi.
As suspeitas se baseiam em relatórios do Coaf, documentos bancários, dados fornecidos pelo Banco Genial, análise de movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores. Conversas indicariam o uso de “laranjas” para esconder os reais controladores.