Uma nova ramificação da cobertura sobre o caso do Banco Master trouxe à tona a participação de um advogado do Rio Grande do Norte em encontros com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo revelou nota oficial do próprio ministro, divulgada por veículos como CNN Brasil, ICL e G1, Wilson Ramalho Cavalcanti Neto, do escritório WTL, esteve pessoalmente no gabinete de Mendonça em nome do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
De acordo com a nota assinada pelo ministro, Mendonça recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, limitando-se a ouvi-lo. No mesmo mês, o ministro atendeu também o advogado do banqueiro — justamente o profissional potiguar —, que representava a agroindustrial Tabu, empresa do setor sucroalcooleiro. Na ocasião, o advogado apresentou um memorial de poucas páginas explicando os interesses do cliente na Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, processo em julgamento no STF que discutia créditos de precatórios de interesse do banco.
Segundo o texto oficial do ministro, o documento entregue pelo advogado permanece arquivado nos registros do gabinete. A nota destaca ainda que a atuação jurisdicional de Mendonça foi contrária aos interesses de Vorcaro no caso — ou seja, o ministro recebeu o banqueiro e seu representante legal, mas decidiu o processo desfavoravelmente a eles.
Comentaristas que analisaram o caso em canal de rádio e YouTube destacaram que a atuação do advogado potiguar não configura irregularidade, já que ele apenas exerceu seu papel de representação legal perante o gabinete de um ministro do Supremo, procedimento facultado a qualquer profissional da advocacia que solicite audiência dentro das agendas oficiais previstas pela Corte. Segundo os comentários, o profissional teria buscado o mesmo tipo de interlocução em outros gabinetes do STF, na tentativa de sensibilizar diferentes ministros sobre o tema dos precatórios.
O episódio ganhou repercussão em meio à cobertura mais ampla sobre mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro, encontradas em celular apreendido no âmbito de outro processo, e que atualmente estão sob relatoria do próprio André Mendonça no STF. A defesa de Vorcaro e aliados de Moraes já sugerem, segundo apontado no programa, uma possível estratégia de anulação das provas com base na forma como as mensagens foram obtidas — tese que teria sido evocada até mesmo pela Procuradoria-Geral da República.
Ainda de acordo com as informações discutidas, o PT teria formalizado pedido à PGR para retirar Mendonça da relatoria do caso Banco Master, alegando parcialidade do ministro — pedido contestado pelos comentaristas, que destacam que o encontro do ministro com Vorcaro e seu advogado resultou justamente em decisão contrária aos interesses do banqueiro, o que, na avaliação deles, enfraquece a tese de favorecimento.