A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), procurou o ministro Alexandre de Moraes para prestar solidariedade. A coluna apurou que Cármen disse que não concordava com a exposição a que o colega vem sendo submetido após o vazamento e a posterior retirada do sigilo do relatório da Polícia Federal que expôs suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A notícia é do Metrópoles. O diálogo, contudo, não significa que a ministra votará a favor do colega quando o caso for a julgamento no plenário. A ministra tem indicado que não antecipa voto e que só se posiciona depois de conhecer o teor dos processos.
O nome de Moraes apareceu depois que o relator do caso Master, ministro André Mendonça, instou a PF a identificar quem era o interlocutor do banqueiro em várias das conversas. O número do contato é de Moraes, mas suas respostas a Vorcaro não aparecem, porque foram encaminhadas em visualização única. É possível saber, portanto, o que Vorcaro dizia a ele.
A revelação de que Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apareciam em um relatório produzido com a anuência de Mendonça mergulhou o Supremo na maior crise institucional de sua história, envolvendo também a cúpula da PGR e da Polícia Federal. A coluna já havia revelado a queda de braço entre Mendonça e Andrei, com o ministro suspeitando de obstrução à Justiça por parte de Andrei e ameaçando, inclusive, prender o diretor-geral.
O presidente da Corte, Edson Fachin, avalia se leva ao plenário, na próxima semana, uma votação para que os ministros decidam o próximo passo. O pedido partiu de Mendonça. O plenário, hoje com 10 ministros — são 11 cadeiras, mas Lula não conseguiu preencher a 11ª —, pode decidir se Moraes deve ser investigado ou se os dados foram obtidos de forma ilegal, uma vez que, no entendimento de alguns ministros, deveria haver autorização da Corte para tanto.
O esforço é para que Fachin deixe o inquérito ser concluído para, só então, colocar o caso em votação, o que o empurraria sua análise para depois das eleições. Busca-se também evitar, de todo modo, uma reunião presencial do plenário, que colocaria os ministros discutindo o tema diante das câmeras. A posição de Cármen Lúcia, nesse contexto, vem sendo apontada como um possível voto de minerva.
Fachin vem sendo questionado sobre a razão de seu incômodo ser apenas Moraes, quando outros ministros também já apareceram vinculados a Vorcaro, como Toffoli, Kassio Nunes e Luiz Fux, os dois últimos por meio dos filhos. E, agora, o próprio André Mendonça, que recebeu o banqueiro em seu escritório particular, e não no seu gabinete, para, segundo ele mesmo, tratar um assunto em votação no Supremo, em uma reunião que não constou da agenda do ministro.