Ao ser cobrado nesta quarta-feira (2) pela oposição sobre os mais de 55 pedidos de impeachment acumulados contra Alexandre de Moraes, Davi Alcolumbre não abriu nenhum processo contra o ministro. Em vez disso, desviou o foco para Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, dizendo: "Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes" - assista abaixo:
A referência é ao pedido de recursos feito por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. O problema é que a comparação não se sustenta: um senador buscando patrocínio para um projeto cultural não equivale a um ministro do STF mantendo contato direto e reservado com um banqueiro investigado, curando convites para eventos financiados por ele e se beneficiando de contrato assinado pela própria esposa.
Ao repetir a mesma estratégia discursiva usada por aliados do governo Lula para diluir o escândalo Moraes-Vorcaro, Alcolumbre deixou claro qual lado escolheu ocupar. Não é a primeira vez: o presidente do Senado já havia articulado a reaproximação política entre Lula e o próprio Alcolumbre, justamente às vésperas da eleição.
Mais grave é o fato de que, tendo em mãos o poder constitucional de dar andamento aos pedidos de impeachment, Alcolumbre simplesmente não age — e ainda usa a tribuna para fazer a defesa pública do ministro mais criticado do país.
A fala, portanto, não deve ser lida como resposta política isolada, mas como confirmação de um alinhamento deliberado: o lado que protege Moraes, blinda o Supremo e repete o discurso que o governo Lula tem usado para sobreviver à pior crise institucional do mandato.