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Dívida pública avança 1,44% e alcança R$ 7,6 trilhões em abril, diz Tesouro
economia

Tesouro Direto renova máximas do ano e mercado precifica uma inflação fora de controle

As taxas do Tesouro Direto abriram em forte alta nesta segunda-feira (8), renovando as máximas de 2026 e sinalizando que o mercado de renda fixa não comprou a tese de que a inflação está sob controle. O Tesouro IPCA+ 2050 saltou de 7,19% para 7,32%, a maior variação individual do dia, com 13 pontos-base de abertura. O IPCA+ 2060 com juros semestrais foi a 7,53%, o IPCA+ 2040 a 7,64%, e o IPCA+ 2032 já opera acima de 8%, a 8,28%. São patamares que, historicamente, só aparecem em momentos de forte estresse fiscal ou desconfiança com a condução da política econômica.

O movimento foi detonado por uma combinação de fatores internos e externos. O payroll americano de maio, divulgado na sexta-feira, mostrou criação de empregos acima do esperado e reforçou a expectativa de que o Fed pode subir juros ainda este ano. No Brasil, o Boletim Focus desta segunda trouxe a 13ª alta consecutiva na projeção do IPCA, agora em 5,11%, e elevou a Selic esperada para o fim do ano de 13,25% para 13,5%. As duas pontas da curva, a doméstica e a global, empurraram as taxas na mesma direção.

O que os números dizem, traduzidos do jargão financeiro, é que os investidores estão exigindo uma remuneração cada vez maior para emprestar dinheiro ao governo brasileiro no longo prazo. Quando um título atrelado à inflação paga 7,32% ao ano mais a variação do IPCA, o mercado está dizendo que não confia na capacidade do governo e do Banco Central de trazer a inflação para a meta nos próximos anos. É um voto de desconfiança que se expressa em preço, não em discurso.

Para o governo Lula, o recado é especialmente incômodo em ano de eleição. Taxas de juros mais altas no Tesouro encarecem o custo da dívida pública, que já consome uma fatia crescente do orçamento federal. Cada ponto a mais nos títulos longos significa bilhões a mais em despesas com juros nos próximos anos, reduzindo o espaço para investimentos, programas sociais e tudo aquilo que compõe a vitrine eleitoral. É uma fatura que o próximo presidente, seja quem for, terá de pagar.

O paradoxo é que o Brasil oferece hoje algumas das maiores taxas de juros reais do planeta, o que deveria atrair capital estrangeiro e fortalecer a moeda. Mas quando a percepção de risco sobe na mesma proporção, o prêmio alto deixa de ser atrativo e passa a ser sinal de alerta. O Tesouro Direto, que deveria ser o porto seguro do pequeno investidor, virou termômetro de uma economia que cresce, emprega, mas não consegue domar os preços nem convencer o mercado de que tem um plano crível para o futuro.

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