A rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) continua gerando reflexos nos bastidores da Corte. Segundo interlocutores do tribunal, a derrota no Senado mantém um clima de tensão entre ministros, especialmente envolvendo André Mendonça e Kassio Nunes Marques, indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a apuração da Veja, ambos atuaram em favor da indicação de Messias. André Mendonça teria feito contatos com senadores e apresentado o nome do advogado-geral da União a parlamentares, enquanto Kassio Nunes Marques trabalhou nos bastidores para reduzir resistências ao indicado. Apesar do apoio, Jorge Messias teve a indicação rejeitada por 42 votos a 34, após articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco.
Mesmo passados mais de três meses da votação, interlocutores do STF ainda atribuem a Mendonça e Nunes Marques parte da responsabilidade pela derrota, sob o argumento de que os dois não teriam conseguido garantir apoio suficiente entre senadores ligados ao bolsonarismo. Como a votação foi secreta, porém, não há confirmação sobre o comportamento dos parlamentares nem sobre as causas da rejeição da indicação.