A União Europeia determinou que vai suspender a partir desta quinta-feira (3) a importação de carne bovina e de aves de criação do Brasil.
De acordo com a Comissão Europeia, o Brasil não deu garantias suficientes de que seus produtos atendem às normas europeias que restringem o uso inadequado de antibióticos na pecuária.
'O Brasil é um parceiro importante da UE e estamos trabalhando estreitamente, de maneira construtiva e positiva, com as autoridades brasileiras para assegurar sua conformidade com essas exigências. Uma vez demonstrada essa conformidade, as exportações para a UE poderão ser retomadas', afirmou uma porta-voz do Executivo europeu à AFP.
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A suspensão das importações brasileiras pela União Europeia também inclui ovos e mel. Bruxelas, no entanto, não informou uma previsão para a retomada das compras.
No caso das carnes de aves e do mel, uma auditoria das autoridades europeias está em curso e tem previsão de conclusão na sexta-feira.
Se a avaliação for favorável e houver aprovação dos países do bloco, as exportações brasileiras de carne de aves para a UE poderão ser liberadas novamente nas próximas semanas.
Para a carne bovina, porém, a retomada deve levar mais tempo.
'Em razão da duração dos ciclos de produção de acordo com as espécies animais envolvidas, a data a partir da qual o Brasil poderá estar em condições de certificar sua conformidade com as exigências da UE varia de acordo com os setores'.
A União Europeia busca reforçar o controle sobre as importações após críticas do setor agrícola e da França ao acordo de livre-comércio firmado com o Mercosul, em janeiro de 2026.
Em 2025, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para o bloco, com mais de 92 mil toneladas exportadas, avaliadas em mais de 713 milhões de euros, cerca de R$ 4,29 bilhões.
As normas europeias proíbem o uso de antimicrobianos para acelerar o crescimento dos animais ou aumentar a produtividade, além de restringirem medicamentos destinados exclusivamente ao tratamento de infecções humanas.
As regras fazem parte dos esforços para combater a resistência antimicrobiana. Segundo a OMS, o problema está diretamente ligado a mais de 1 milhão de mortes por ano e contribui para outras quase 5 milhões.
CBN